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Amar, verbo imperativo

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Data de Publicação: 27 de maio de 2007
Amar demais pode ser doença, mas tem cura; saiba se você também sofre desse “mal” comportamento

Quem nunca ameaçou cortar os pulsos ou pular da ponte depois que o amor da sua vida o abandonou que atire a primeira pedra. Também não dá para condenar a mulher que deixou o parceiro na maior saia justa depois de uma ceninha de ciúmes em pleno escritório, ou aquela que anuncia aos quatro ventos uma greve de fome que jamais existiu. Ah, o amor! Eternamente vilão. Incessantemente procurado.

Até querer ser feliz ao lado da pessoa amada, nada de anormal. Afinal de contas, quem não sonha com seu príncipe encantado - ou uma bela princesa? A coisa fica estranha quando um dos lados exagera, dá a outro um valor extremo, protagoniza freqüentes cenas de ciúmes e precisa do companheiro constantemente. Aí, o amor é demais.

Em “Mulheres Apaixonadas”, novela de Manoel Carlos, a vida de Heloísa girava em torno de Sérgio (Marcelo Antony), o marido bonitão do qual ela queria toda a atenção. As loucuras da personagem de Giulia Gam azucrinaram tanto o companheiro que ele resolveu pedir um tempo. Depois de assumir que tinha um problema, Heloísa encontrou ajuda no Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), um programa para mulheres que desejam se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos. (leia mais sobre o Mada abaixo)

Foi também no Mada que a promoter Silvia Feijó, 45, procurou ajuda - ela foi uma das fundadoras do grupo em Campinas. “Essa pessoa que ama demais é aquela que tem um monte de manias, quer a atenção só para ela, é perfeccionista e vem de uma família desajustada. Quer fazer tudo e mais um pouco por todos, mas não faz nada para ela”, informou.

“É preciso ver qual o sentido que isso (amor) ocupa na vida da pessoa. Se ocupar a vida inteiramente com aquilo, o amor pode virar doença”, comentou a psicoterapeuta Vera Lúcia Pereira Alves, da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas. Quando uma pessoa exagera em uma coisa, pode ser que esteja suprindo outro tipo de necessidade e deixando de viver outros sentimentos, emoções e situações. Tem gente que apela para o chocolate. Tem aqueles que recorrem ao amor. E tudo em excesso acaba fazendo mal.

Conto da Idade Média, a história de Tristão e Isolda voltou a ser assunto com o lançamento do filme que leva o nome do casal que se apaixona depois de tomar uma poção do amor. Os dois se tornam amantes, são surpreendidos e condenados à morte, mas conseguem fugir para a floresta. Só que a lua-de-mel dos pombinhos não dura muito tempo e eles se separam. Tristão encontra uma outra Isolda e passa a viver com ela. Um dia, é envenenado e morre de desespero ao ser informando (erroneamente) que seu amor não está no barco que se aproxima do local. Quando Isolda aparece, encontra o cavaleiro e morre de tristeza.

ELES TAMBÉM AMAM DEMAIS

COMPORTAMENTO
Tristão e Isolda Repartem a Poção”, de John William Waterhouse, captura o momento em que os amantes bebem o preparado que os deixa apaixonados
Tristão e Isolda Repartem a Poção”, de John William Waterhouse, captura o momento em que os amantes bebem o preparado que os deixa apaixonados"

Está na hora de rever os conceitos aqueles que acreditam que apenas as mulheres podem amar demais. “Os homens têm sentimentos iguais aos das mulheres e podem desenvolver relações, assim como elas, saudáveis ou não”, afirmou Vera. No entanto, culturalmente os homens são conhecidos como donos de uma expressão afetiva mais comedida. “Contudo e por sorte, isso também vem se modificando”.

Exemplo disso é a comédia “Ata-me!”, de Pedro Almodóvar. Com Antonio Banderas e Victoria Abril no elenco, o filme narra a tentativa de Ricky, recém-saído de uma clínica para pessoas com problemas mentais, ensinar uma ex-atriz pornô a amá-lo. Para tanto, lança mão de um método não muito convencional. Ele a deixa amarrada na cama até que seja tomada pelo nobre sentimento. Na vida real, o ciumento Ike Turner atormentou um bocado a ex, Tina Turner. Depois de se livrar do marido, ela leva uma vida mais discreta.

Diante disso, você pode se perguntar se o amor é bom ou ruim. Vera responde. “Ele, em si, não é bom nem ruim. Ele decorre de vivências diferentes que assim nomeamos. Entretanto, o amor nos faz atentar para algo essencial: não estamos falando de um objeto e sim de relações, de uma relação específica. A maneira como estabelecemos as relações, seja com o parceiro ou com o trabalho, pode se dar de forma que nos traga mais alegrias, prazer, paz e gratificação ou mais desgaste, estresse, sofrimento, adoecimento”.

Características de uma mulher que ama demais

Vem de um lar desajustado, no qual suas necessidades emocionais não foram satisfeitas. Como não recebeu um mínimo de atenção, tenta suprir essa necessidade insatisfeita por meio de outra pessoa, tornando-se super atenciosA, principalmente com homens aparentemente carentes Como não pode transformar seus pais nas pessoas atenciosas, amáveis e afetuosas de que precisava, reage fortemente ao tipo de homem familiar, mas inacessível, o qual tenta transformar com seu amor Com medo de ser abandonada, faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento Quase nada é problema, toma muito tempo ou custa demais se for para “ajudar” o homem com quem está envolvida.

Habituada à falta de amor em relacionamentos pessoais, está disposta a ter paciência e esperança, tentando agradar cada vez mais. Está disposta a arcar com mais de 50% da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento Sua auto-estima está criticamente baixa e, no fundo, não acredita que mereça ser feliz. Ao contrário, acredita que deve conquistar o direito de desfrutar a vida Como experimentou pouca segurança na infância, tem uma necessidade desesperadora de controlar seus homens e relacionamentos. Mascara seus esforços para controlar pessoas e situações, mostrando-se “prestativa” Está muito mais em contato com o sonho de como o relacionamento poderia ser do que com a realidade da situação Tem tendência psicológica e, com freqüência, bioquímica a se tornar dependente de drogas, álcool e/ou certos tipos de alimento, principalmente doces Ao ser atraída por pessoas com problemas que precisam de solução ou ao se envolver em situações caóticas, incertas e dolorosas emocionalmente, evita concentrar a responsabilidade em si própria Tende a ter momentos de depressão e tenta previni-los com uma agitação criada por um relacionamento instável Não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados nela. Acha que esses homens “agradáveis” são enfadonhos.

Fonte: www.grupomada.com.br

Amando demais

No Brasil, o Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas) iniciou suas atividades em 16 de abril de 1994 - o primeiro grupo fazia suas reuniões em São Paulo. Em Campinas, o grupo surgiu em 2003 e faz suas reuniões semanais na Igreja Nossa Senhora das Dores, no bairro Cambuí.

As integrantes dos grupos trabalham com a chamada terapia de espelhos e nenhuma mulher é obrigada a contar sua vida - ela pode freqüentar as reuniões para ouvir histórias que se assemelham à sua. O recomendado é ir a, pelo menos, seis encontros consecutivos.

De onde é que essa idéia surgiu? O grupo foi criado com base no livro “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood. Ela, que escreveu a obra baseada em sua experiência e na de mulheres envolvidas com dependentes químicos, percebeu um padrão de comportamento comum a todas elas e as batizou de “mulheres que amam demais”. Outras informações no site www.grupomada.com.br.

Amor demais pela literatura

“Por que eu, por que isso, por que agora?”, de Robin Norwood (Editora Mandarim)

“Meditações Diárias para Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood (Editora Mandarim)

“Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood (Editora ARX)

“Amores Obsessivos”, de Susan Forward e Craig Buck (Editora Rocco)

“Rita, Ritinha Aprendendo a Amar”, de Rita Ruschel (Editora Ágora)

“Eu Faço Tudo Por Você”, de Sandra Maia (Editora Celebris)

“Pare de Amar Errado - Guia de Sobrevivência da Mulher nos Relacionamentos”, de Rejane Freitas (Editora Matrix)

Fonte:
http://www2.uol.com.br/tododia/ano2006/agosto/270806/todag.htm
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Título:
Pare de Amar Errado
Categoria:
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